terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ímpio! Eu! De alma muito mais que negra…


É assim que me sinto, não só hoje, mas sim, ridiculamente, quase sempre, dia após dia,
com a alma muito mais que negra, suja ou  encardida! Vómitos da minha consciência!?
Sim, se a tivesse! Mesmo que pequena e embrionária consciência! Então, assim seria!
Mas não! Então, este luto de alma, esta clara negridão órfã, leva-me à demência!

Sinto-me morto-vivo, um e num buraco negro sideral, sem luzes… sem alegrias!
Engulo-os sem água, a seco, drogas legais, prozacs e outros mais…dependência!
Sim…, felicidade oca em Complexos Compressos Comprimidos…toma-se, e por magia,
uma falsa alegria, sensação de liberdade e leveza, até surgirem os suores da abstinência!


Sonho com a navalha do barbeiro… uma mão nua de sangue, e a outra, com ela afiada!
Molière, com suas pancadas, chama-me incessantemente para o palco da minha tragédia,
num pathos atroz, tento fintar a catástase, ingloriamente!? Teremos nós a vida marcada?


Acordo, atordoado, sofridamente transpirado! Olho a Cruz, tudo escuro…apenas ela iluminada,
a apontar-me um caminho de saída, quiçá o da redenção, libertação ímpia desta vida trágico-comédia!
Que terei eu feito? Talvez muito!? Talvez menos que pouco!? Ou apenas um grande vazio cheio de nada?


Mas na verdade, é sempre assim que me sinto, não só hoje, mas sim, ridiculamente, quase todos os meus dias,com a alma muito mais que negra, suja ou  encardida!








2 comentários:

  1. Força João!!! A vida não acaba aqui...

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  2. Amigo JR,

    Prodigiosa descrição de um estado de alma através do recurso a expressões tristes e de valores disfóricos, intrínsecas unicamente a quem sente e sabe interpretar os seus sentidos ainda que por momentos envilecidos. Muito real! Um texto uno, coerente e coeso resultado da articulação dos vários aspectos de diferentes planos de análise.

    O acúmulo de pormenores narrativos marcados por jogos de palavras e expressões denunciam um talento extraordinário. A linearidade da narrativa é perdida nesta descrição de estado de alma quando o João expressa livremente o que lhe vem à imaginação, em pleno voo nocturno, provocando a perda de visão da sequência lógica do desenrolar do sentimento exposto por palavras. Esta desestruturação propositada é um ponto positivo e que merece destaque na representação dos estados de alma do ser humano tão comuns nos dias de hoje.

    Adorei! Delicioso voo da sua alma!

    Ósculos e amplexos, BR

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