quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Processo criativo Do amor!



Na verdade, parece-me que mais nada sei escrever,

a não ser, sobre estas coisas, mais ou menos nobres, Do amor!

Por vezes, ao meu leitor, parece-lhe que apenas e só sei sofrer,

sentir, por bem-querer, no coração, uma enorme e carpideira dor de amor!



Processo: desenho no papel a nossa história - Parece que ontem e hoje,

neste tempo, levado ao extremo do infinitesimal, só penso em ti!

E prossigo! - Meu amor! Não te quero, nem posso, apenas olhar ao longe,

és tudo, mas tudo, o que eu, enquanto Petrarca, quero para mim, aqui!



E deixo a caneta fluir - Tu, “ó Esperança Minha”, preenches meu coração,

Serás fel? Afrodite! Adjectivo-te, contudo, na verdade, não te sei qualificar!

Acredito que tu (para o poema terminar), com desdém me olhas e dizes não!

Contudo, lá no fundo da tua alma! Sei que há uma não Afrodite, mulher simples, que me quer AMAR!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Descobrir um caminho feliz…




Tenho pena, de por vezes não saber quem realmente sou!
Sinto um enorme vazio, assim, declaradamente nu, e perdido!
Sinto-me, sei lá, como uma pássaro que para longe voou,
mas que, cansado, esfaimado e desorientado, caiu ferido!

Na verdade, eu apenas queria, e quero, encontrar um caminho,
uma estrada, um carreirão devidamente assinalada para andar!
Todavia, e na verdade, não queria, nem quero andar sozinho,
ao meu lado, alguém gostaria de ter, para o amor e as minhas feridas sarar.

Quem sabe, sim quem sabe, se nesse caminho a eu percorrer,
até talvez, o meu “EU”, descobrisse a minha verdadeira vocação?
Ou então, porque não, me depara-se com uma razão forte para querer viver!?
Mas viver feliz, muito feliz, com alegria, comigo em harmonia, com emoção!

São tantas as vezes em que penso de como será um caminho feliz!?
Sim!? E como o descubro? Para o poder dignamente trilhar!?
E se o encontro? Será que é como a sabedoria popular diz?
Que és um mais que longo, penoso e febril caminhar?

Detesto estas encruzilhadas da alma! Devo caminhar na vida sempre em frente!
Sempre, sem medos, sem dores nem ressentimentos, apenas e só caminhar!
Quero caminhar, seguir em frente, ser feliz, por mais que a tentação tente,
a vida, a nossa vida, as nossas decisões e sonhos, simplesmente abortar!

Mas para tudo isto, acredito eu que é preciso fé e dedicação,
muito bem misturado com uma grande dose de esforço e muito valor!
É que a “cabra” da vida, às vezes, é um lindo soneto, em corpo de mulher canção,
e outras, mais que muitas, apenas e só, um silencioso grito de dor

João Ramos

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Hoje quando passavas…

 

Foi hoje, sim, hoje mesmo, quando passavas depressa com um enorme sorriso nos lábios, que eu me apercebi que te amava!

Foi hoje, mas foi tarde, porque já para outro, os teus lábios sorriam, e eu ali, a contemplar-te, como se de um ícone se tratasse!

É verdade, faz agora um segundo que te conheci com um sorriso nos lábios, faz agora, dois segundos, que notei que para mim não era…o sorriso! Completam-se exactamente hoje três segundos, em que eu descobri que amar-te era algo mais do que falta de bom senso, era sim, falta de jeito…para comigo mesmo!

Foi hoje, não, hoje não, há bocado, que tornaste a passar com o mesmo sorriso nos lábios, e percebi, novamente, que te amava!

Sim, foi hoje, não! Hoje não! Há bocado, aliás, um bocado tarde de mais, em que eu me apercebi de que, os teus lábios, não sorriam para mim, e eu ali, a contemplar-te…como se de um ícone ortodoxo se tratasse.

Assim é o desamor.!

Prosa para ti …menina…mulher


A ti, menina mulher, que és flor, estrofe e harmonia!

A ti, menina mulher, que és linda, perfeita, sedutora e pessoa capaz!

A ti, que és filha, irmã, esposa, mãe, e um dia, quiçá, também avó!

Eu penso-te assim:

Ser mulher é ter dores, dores de amor, dores de parto, dor da partida…

Na guerra, a mulher sofre, perde o filho, perde o marido, está só,

sem o seu menino, é viúva!

Na paz, muitas vezes, a mulher é solitária, saem os filhos, sai o marido, e assim

se queda só com os seu silenciosos amigos, os  pratos, e talvez, com os seus

botões, que são o único abraço apertado que tem!

Coze e cose, passa a ferro, engoma e limpa, limpa o pó, o chão, os quartos e a

cozinha, faz a comida e ainda lava os pratos, mas nunca lava a sua vida, e à noite,

quantas vezes, muitas vezes, vai para a cama, acompanhada de si própria…

sozinha…

Tu, que já foste menina, bem pequena, traquina, espertinha, que jogaste

ao elástico, à macaca, ao lenço e à rodinha, um namorico de infância e um

beijito inocente de quando em vez…

Tu, menina, que em outras meninas se tornou, foste seguindo a escola, e quem

 Sabe, onde realmente ela chegou!?

Era menina, e menina casou, e a sua vida de menina para mulher, não mais parou!

Tu, mulher, que no teu íntimo ainda te sentes menina, nunca por nunca deixes de o

ser, e no mais intimo do meu coração, como homem e filho, acredito que tu,

MENINA MULHER, não nasceste para sofrer.



João Ramos

20 de Abril de 1990

03 Horas da manhã

Ao tempo que te procuro…meu amor.



Sabes há quanto tempo te procuro?
Há quanto tempo eu te amo sem resposta?
Ao tempo que os meus olhos procuram os teus,
para te dizerem simplesmente: - amo-te mulher!

Sabes tu o que é amar alguém?
E saber que não o podes fazer?
… porque é proibido? Mas que esse é o melhor fruto?

Deixa-me fazer-te apaixonar por mim…
…beijar o teu corpo, os teu poros…
Até ao mais intimo recanto de Mulher….

…porque se são os diferentes sexos…
que distinguem o homem e a mulher…
…vamos uni-los amor! Um só corpo, um só desejo,
uma só grande vontade que é amar como loucos, como jamais
um de nós ou alguém amou…

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Estrela cadente (poema JOCOSO)


Um dia vi uma estrela cadente,

e logo me pôs a pensar um desejo,

depois de o pedir, sorri de contente,

pois o meu “pedir”, era de ti, um beijo.
 

E certo que o desejo seria meu,

para tua casa, lá caminhei!

Mas que azar, vejam o que aconteceu,

em casa, àquela hora, não estava ninguém
 

A minha cabeça pôs-se logo a pensar,

num grande e belo estratagema.

Assim que tu chegasse, ia-te apanhar,

Pois beijar-te era o meu único lema.


Se bem o pensei, melhor o fiz,

mas a coisa correu para o mal,

deste-me um valente murro no nariz

e fui passar a noite ao hospital.


Afinal o que caia na noite de então,

não era uma estrela cadente…

era sim, um balão de S. João,

que se queimara num de repente….
 

Então decidi esperar pelo S. António,

e não me pôs as estrelas mais a ver.

Por fim, anos passado, contraímos matrimónio,

para os dois e o nosso amor viver.
 

João Ramos


O ridículo do pedinchão




...às vezes, muitas vezes, vezes de mais, faço coisas, digo coisas, que quando dou conta de mim, já eu não sou eu, apenas uma sombra de mim próprio, para não dizer, uma imagem negra de mim mesmo!

...não é pedir que é vergonha, vergonha é na posição em que nos colocamos quando pedimos, e nesses momentos, todos os espelhos se escondem, para nos pouparem à imagem do ridículo de nós próprio.
Confúcio não disse, mas poderia ter dito: vive feliz com o que tens!

João Ramos

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tu, no meu íntimo (poema naïf)




No mais profundo do meu ser,

naquilo que acho mais intimo,

acho-te uma razão para eu viver,

porque em ti me perco e em ti me sinto!


E mesmo que por vezes, envergonhado, baixe o olhar,

e só consiga ver o sujo pó da estrada,

consciente eu sei, que o meu coração não te quer trocar,

pois tem a certeza de seres a mulher por ele amada!


E pronto! Aqui temos um romance!

Todo servido em doses paras se dar bem!

É que sendo tua mulher que és, elegante e bonita,

Então, modestamente te digo: - eu sou o homem que te convém!






terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Desenhar-te num papel




 Queria desenhar, no papel, em letras descumunais, o mais belo poema,

que o mundo fértil da minha imaginação e inspiração, assim deixassem!

Era essa, a minha mais presente, singular e única demanda, bandeira…lema!

Isto, por mais que o tempo e o mundo, nos seus ciclos biológicos habituais, volteassem!



Não imaginas amor! Passei infinitas horas de gáudio e júbilo, em ti a pensar!

Meu anjo, soma total da minha vida! Foi experiência sagrada de amor, à qual sobrevivi!

Para que, simplesmente, algo de belo, sobre o nosso amor, aqui, viesse a rimar,

nesta pequena folha assustada,  branca de nada, precisamente, agora! Hoje e aqui!

PS: Este, meu conchego de amor, mais do que escrito para nós, foi escrito apenas e só, de mim para ti!

Amo-te

Saudades

(na vida, quando perco algo que me é precioso, em particular, no amor, para não sentir, ou tentar não sentir tanto a dor da perda, é este pensamento egoísta que me ocorre, cada um, tem as suas estratégias)




Saudades? Tenho de mim mesmo,

...quando de mim próprio me ausento!



Fruto proibido.


Sem inspiração no dia de S. Valentim



Fruto proibido.

Que nome queres que eu hoje, em dia de S. Valentim te dê?

Sim! Como é que hoje, este escravo teu te haverá de chamar?

Sabes! Aquilo que fazemos, em poucos livros ortodoxos, sobre o amor, se lê,

Já brincámos a tanto, e mesmo assim, conseguimos sempre variar…



Ah, aos passivos!? Certo! Então, onde queres que te toque Mulher?

Onde sentes tu, efectivamente, aquele agridoce Maior Prazer?

Comanda-me, já marioneta sou! Não aceito que me digas: - num sítio qualquer?

Vá, diz-me, ajuda-me, sou pobre e submisso! Onde e como hei-de eu fazer?



Provocante! Sinto já, e tu bem sabes, um calor em mim, uff, abrasante…

quente, muito quente, tão quente que minha tez, começa, escaldante, a rosar!

Ai minha fêmea mulher! Se é isto que é ser teu macho homem e amante,

então PORRA pá! Isto é TUDO, e assim, hei-de querer sempre te amar!



Gatinhas em minha direcção, acelero, tocas-me, erecção! Sobes mais acima!

Cravas as tuas unhas de gel em mim! Cheira a cabedal…és deliciosamente louca!

É este, hoje, o nosso amor? Um poema de sexo com muitos fluídos e rima?
Caramba! Somos poetas, nada é fútil, nada em nós fica, ou é coisa fraca e oca….

Intenso, intenso… sobe e desce elevador… e já sinto o prazer a chegar,

belo e gritante, gutural, intenso e cheiroso… escandalosamente desinibido!

As caldeiras arrefecem, menos ofegantes e penso: -é assim que quero viver!

Legalmente minha companheira e mulher, ainda assim, agora e sempre, fruto proibido!



João Ramos

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Punição e castigo

A Paisagem flutua, qual jardins suspensos da Babilónia…o nevoeiro adensa…
A Pena, no tinteiro cárcere, mea culpa, cai no esquecimento!
Eu e a vida, solidários, em tudo, apenas e só uma só tença…
…eu e a vida, em sinal de união, no dizimo da dor a pagamento!


Que bom fustigar (-me), é o meu! Chicote justo que estalas uníssono!
Como pode ser tão purificador, este, em bom rigor, auto flagelamento?
Pelos meus pecados mundanos e profanos, joga, o Prazer V Dor! Sou submisso!
Pecante na vida sou! Sim de fato, mas sem alegria, com justiça, dor e lamento!

Assim estou, por minha vontade, desacompanhado, por uma multidão de pecados,
numa mortuária da Santa Inquisição! Em expiação! Heresia! Heresia! Não ouço gritar!
Abrenuncio, mas não vade retro satana! Sou réu e sentenciador, destinos cruzados!
Perdão não! Rogo castigo, anseio pelo chicote justo, gáudio meu, ouço já seu sibilar!

A cada vergastada o meu corpo geme, eu não! Só penso para que serve o perdão!?
Será que não é para que se possa pecar? Que vicio, este meu gozo de castigo e dor!
Não cresci com falta de amor! Não tenho falta de amor! Será fetiche? Ou maldição?
Já cansado de mim, o chicote pára! Olho-me ao espelho, e apenas vejo um dependente
réu, de si próprio, em simultâneo, sentenciador…




terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ímpio! Eu! De alma muito mais que negra…


É assim que me sinto, não só hoje, mas sim, ridiculamente, quase sempre, dia após dia,
com a alma muito mais que negra, suja ou  encardida! Vómitos da minha consciência!?
Sim, se a tivesse! Mesmo que pequena e embrionária consciência! Então, assim seria!
Mas não! Então, este luto de alma, esta clara negridão órfã, leva-me à demência!

Sinto-me morto-vivo, um e num buraco negro sideral, sem luzes… sem alegrias!
Engulo-os sem água, a seco, drogas legais, prozacs e outros mais…dependência!
Sim…, felicidade oca em Complexos Compressos Comprimidos…toma-se, e por magia,
uma falsa alegria, sensação de liberdade e leveza, até surgirem os suores da abstinência!


Sonho com a navalha do barbeiro… uma mão nua de sangue, e a outra, com ela afiada!
Molière, com suas pancadas, chama-me incessantemente para o palco da minha tragédia,
num pathos atroz, tento fintar a catástase, ingloriamente!? Teremos nós a vida marcada?


Acordo, atordoado, sofridamente transpirado! Olho a Cruz, tudo escuro…apenas ela iluminada,
a apontar-me um caminho de saída, quiçá o da redenção, libertação ímpia desta vida trágico-comédia!
Que terei eu feito? Talvez muito!? Talvez menos que pouco!? Ou apenas um grande vazio cheio de nada?


Mas na verdade, é sempre assim que me sinto, não só hoje, mas sim, ridiculamente, quase todos os meus dias,com a alma muito mais que negra, suja ou  encardida!








domingo, 5 de fevereiro de 2012

O Teu Corpo! O Meu Corpo! (Conto erótico)


O Teu Corpo!
O Meu Corpo!

Os nossos corpos! Livres, soltos e nus, em êxtase, sem qualquer limite, sem qualquer pudor...com amor.

Afasta-te...sobe e desce sobre mim, faz do meu corpo a forma e o molde perfeito para encaixar e se fundir o teu! Um molde único, onde pequenos, mas brilhantes orgasmos, são as pequenas e raras (mas valiosas), dádivas desses arrebatadores momentos

Sobe e desce, sim, nesse ritmo inconstante, entra e sai, leva-me nessa viagem ao fundo do teu útero, ao fundo do teu ser, onde os meus e teus fluidos se tornam num só, um néctar espesso, mais espesso e doce que o mel!

Explodir, gritar, sair de mim, cerrar os olhos, olhar-te nos olhos, respirar ofegante por sobre o teu corpo…

Beijar os teus lábios, languidamente morder o teu pescoço, brincar com a ponta húmida da minha língua por sobre os teus mamilos, vê-los retesar, crescer de dor e de prazer...um chamamento….

Parar, olhar e ver secar, sobre o teu corpo, essas pequenas pinceladas de saliva que tornam, ora opaco, ora brilhante, monumentum” teu corpo.

Desço, e entro no teu sagrado templo, ajoelho-me (a ocasião é solene), contudo, é de forma profana, que roço as costas da minha língua nas paredes da tua vagina, que agora, depois do meu assalto, é tão tua quanto minha.

O seu sabor, simultaneamente doce e amargo, levam-me a crer que não há, no mundo, outra gustação assim, o teu sabor, o teu gosto, és tu...

Por fim, elevo-me no teu corpo, agarro-me ternamente aos teus peitos, como se os fosse tomar nas minhas mãos, para todo o sempre.

Com uma estocada firme, vigorosa, segura e decidida, penetro o teu mais intimo refúgio corporeu”, essa estrada sinuosamente molhada, fruto dessa tua tempestade e febre interior que me queima também. Conduzo ofegante, um pouco embaciado pelo prazer, apenas distingo o brilho dos teus olhos que aumenta a cada instante.

Por fim, em simultâneo, um arrepio percorre-nos o corpo, um choque eléctrico, o grego clímax, a “petite mort” que nos deixa tensos, e a gritar, de unhas cravadas nas nossas carnes.

Em uníssono, tentamos, como náufragos, morder o próprio ar!

Por fim, desfalecemos sobre o lençol mais que molhado, mais que encharcado, completamente ensopado de amor e do fruto desse amor, convictos de que ganhámos uma batalha, mas não a Guerra!

Assim, teremo-nos de amar mais e sempre ....