quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por uma causa que vale a pena


Provavelmente, e caso houvesse tempo e espaço, poderia eu, de forma muito segura, e acima de tudo, com provas factuais e evidências, dizer de minha justiça, o porquê do meu apoio e do meu voto no Mário Ruivo, no entanto, porque como o espaço não é muito, e o tempo não é coisa que abunde, nada melhor do que me socorrer do já velhinho, mas não ultrapassado, conceito KIS, “Keep it Simple”, numa tradução muito minha, é algo parecido com: -deixa-te de floreados e diz porque vens e ao que vens!

E assim será! Pelo que não irei dizer que vou votar no Mário porque ele é um camarada “porreiro”, pois toda a gente de bem sabe que sim! Ou porque efetivamente ele é um bom e leal amigo, o que não constitui novidade! Ou ainda, porque é um homem de elevados valores morais!

Não, não é por ele ser é de facto um camarada “porreiro” (no bom sentido da palavra, ou seja, não complica), de ser indubitavelmente um bom e leal amigo e uma pessoa com muito e bons valores morais, eu voto nele, claramente e só, por duas grande razões:

 1. Pela continuidade do projeto que este iniciou, e no qual eu votei anteriormente! Seria falta de senso, da minha parte, se o não fizesse agora, se o não apoiasse novamente. EU QUERO O MELHOR PROJETO PARA O MEU PS DE COIMBRA!

 2. Pela COMPETÊNCIA! Sim, COMPETÊNCIA, que foi o que durante todo este tempo o Mário demonstrou ter, salienta-se:

a. Competente a gerir querelas internas,

b. competente a organizar eleições,

c. competente a gerir a informação,

d. competente a gerir a relação com as Concelhias e os seus militantes e

 e. muito competente a representar Coimbra na Assembleia da República, tendo tempo ainda para dar, diariamente, informação do que de maior relevo se faz na Assembleia.

O meu voto é um voto que separa a amizade, a simpatia e admiração da competência, são coisas distintas, e este homem, este camarada é efetivamente competente e é apenas e só por esse motivo, que leva o meu voto, caso contrário, nem por toda a amizade, simpatia e admiração, eu, jamais o faria, trata-se de meritoriamente votar pura e simplesmente na sua COMPETÊNCIA.

 Confesso que nestes últimos anos, aquilo que mais temo, é que o pensador Victor Lasky tenha razão quando diz: “Na política não há amigos, apenas conspiradores que se unem."

Infelizmente, é o que tenho estado, e estou a assistir e a observar neste momento em que decorre a campanha quer para a Federação, quer para as Concelhias. Não sou contra outras alternativas, bem pelo contrário, sou é contra associações maquiavélicas, sem qualquer ética e respeito, que se urdem em ambientes “conspirativos”. De facto, todos temos o direito de almejar chegar ao poder, seja a que nível de poder for, no entanto, não temos de seguir, para isso, a meu ver, métodos dos quais até Maquiavel se haveria de envergonhar.

Aconselho vivamente alguns camaradas a trocarem da sua cabeceira o livro de Maquiavel, pelo de Sun Tzu, pelo menos, no segundo, a escalada ao poder, à vitória, embora aparentemente imbuída de alguma “belicosidade”, tem honra, que é o que falta a muita gente. Muito provavelmente, até à minha própria pessoa, da qual sou muito autocritico. Pelo que, depois de publicar, vou ler, e ver se aprendo alguma coisa comigo mesmo.

 Mário! Estou sem reservas e a 100% contigo!

 Eu apoio!

 Eu voto!

 O Militante de base 28800

 João Ramos

terça-feira, 29 de maio de 2012

Eu e o Pateta

Das memórias de maior ternura que tenho na minha vida. Nem todos nascemos em berço de ouro, mas esse facto, não significa que a vida tenha de ser uma tragédia. Lembro-me de pedir muito a Deus, quando nas orações da noite, que ele não me fizesse “langão” quando eu crescesse! Pedi tanto que ele, e ainda bem, atendeu ao meu pedido. Não sou nem mais nem menos importante, sou eu, e feliz por isso.
 Dos episódios que mais me marcaram, tinha eu 11 anos.
O Dinheiro, como a tanta gente, não era coisa que abundasse lá por casa, a minha maior riqueza e o meu maior tesouro nesse tempo, e agora, era e sempre foi a minha Mãe, que, corria o ano de 1981, decidiu, por altura do natal, me levar, pois morávamos perto, a ver passar um cortejo promovido pela Walt Disney, com todas aquelas figuras que eu e tantos mais, acreditávamos serem reais.
 Lá nos posicionámos, junto à estação velha a ver o cortejo passar, foi um momento épico! A minha Mãe, pequena em altura, mas grande e forte de coração e determinação, agarrou-me, furou pela multidão, e lá me colocou no carro onde ia o Pateta, fiz o resto da Avenida Fernão de Magalhães agarrado a enorme mão dele, estava ali, com um deles, e nem imaginei que era um traje, e lá dentro, um homem. Olhava para baixo, e a minha Mãe acompanhava-me e sorria delirante. Não consigo expressar a minha alegria, sei lá o que senti. Por fim, tive de apear, mas o Pateta, que o não era, nunca me largou a mão e mimo-me muito. No fim, disse-lhe que gostava de lhe escrever, se podíamos ser amigos…não falou, mas acenou que sim, e deu-me uma morada, que hoje sei que era de uma editora.
 Já nos braços da minha Mãe, não cabia em mim de contente, naquele momento era o maior, porque era amigo pessoal do pateta, até tinha a morada dele, e isso, perante os meus conhecidos, elevava-me, apesar da extrema pobreza em que vivia, à categoria de herói.
 Alguns dias passados, e de tanto sonhar com o meu amigo, aquele que não me afastou por ser pobre, por ter um fato do domingo para ir à missa, ou por ser o filho da mulher da fruta, a feirante, e de ir à “higiene”, no parque da inquisição tomar banho, decidi escrever. Estava possesso, queria ir a Disneylândia, só que na altura… só havia na América… não era barato, mas eu não sabia, sabia que ele era meu amigo, e que podia meter uma cunha, pensei eu.
Os dias foram passando e nada, até que me esqueci, de quando em vez, olhava para um recorte do Diário de Coimbra, onde eu me via numa foto, de mão dada com o meu amigo.
 Um dia, e nestas coisas, há sempre um dia, quando nada o fazia prever, cheguei a casa e a minha mãe, depois de um dia de feira a vender em Arganil, cansada, pegou-me rápido na mão e fomos em direcção não sei onde, não me preocupei, ela só me levou sempre por bons caminhos. Quando dei fé, estávamos nos correios, eu não percebia nada, mas a verdade é que o senhor trazia com ele uma enorme caixa, e hoje, a caixa, ainda é enorme, imaginem na altura. A minha Mãe nada me dizia, e eu, nada descortinava.
De volta para casa, na pequena sala, a minha Mãe começa a abrir a caixa, lembro-me de ver os olhos dela a abrirem e a sorrirem, seguidos de muitas lágrimas! Estendeu-me uma carta, que lera num ápice, e disse-me: - é para ti filho, o teu amigo Pateta escreveu-te…
 Agarro a carta e li não sei quantas” ñ” vezes seguidas, de tal forma que me havia esquecido que havia a caixa, lembro-me de sentir as lágrimas a caírem-me de alegria pelo rosto, parecia um miúdo…era um miúdo… era apenas mais um miúdo, para muitos da minha idade, à época, nem era ninguém, mas era amigo do Pateta….
 …mais calmo, o momento de climax, espreitei para dentro da caixa grande, que ainda hoje é grande… e só vos digo, eu não pode ir à Disney na altura, mas o meu amigo Pateta, mando-me a Disney até mim…de brinquedos a roupa, passando por livros e lápis, não faltou nada, até uma t’shirt da guerra das Estrelas, que hoje, o meu filho com 11 anos, ainda veste, pois ela, como tudo o resto, ficou como novo, a minha brincadeira, durante muito tempo, limitou-se a ser ficar sentado a olhar para aquele magnifico espólio, que provavelmente, nenhum outro menino, mais rico ou pobre que eu, tinha.
 Escrevi a agradecer…mas ele não me voltou a responder, mas entendi que havia outros meninos a quem tinha de ajudar e fazer feliz. Ou então, que tinha ido lá para a américa para a sua casa na Disney, pois teria de ir trabalhar, que era fazer filmes. Não lhe perdi o rasto até hoje, tenho gravado horas de animações do Pateta, livros, seremos sempre amigos.
 Curiosamente, aos 39 anos, concretizei o meu sonho de miúdo, ir à Disney, só que, a Paris , não sei quem curtiu mais, se eu, ou o João Filipe e a Sara. Mas o meu amigo estava lá, e tirámos uma foto juntos, mas acho que ele não me conheceu (ai a idade)
 Acredito que sou o que sou, porque tive um descumunal amor de Mãe, a vigilância celestial do meu Pai, e um futuro traçado por Deus, e bons amigos, acima de tudo, muito bons amigos, e roam-se de inveja…o Pateta foi e é um deles.
 Deixo-vos a carta para ler. Às vezes é tão fácil fazer uma criança feliz.
 Coimbra, 28 de Maio de 2012
 João Ramos