quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Deixa-me ser!


Deixa-me ser os sapatos que calças!

O vestido que despes!

A roupa interior que te aconchega!

O batom que hidrata e enfeita de cor e festa os teus lábios!

A suave base que aperfeiçoa as tuas para mim já perfeitas imperfeições!

O eyeliner que vinca ainda mais o teu olhar que me desarma!

A meia de seda que sobe pelas tuas pernas e se fixa, provocantemente, diga-se, nas tuas coxas!

As gotículas de perfume que penetram a tua pele e se misturam com o teu odor natural. Mistura que me deixa ébrio e intensifica o meu líbido desejo!

Não me deixes, mas deixa-me ser qualquer coisa, porque por mais pequena que seja o que quer que seja que me deixes ser, é já ser o melhor de tudo, que é ser parte de ti.

sábado, 7 de outubro de 2017

Abraça-me forte e agora!

Abraça-me agora meu eterno amor, como se o mundo inteiro estivesse para explodir…
Abraça-me forte meu eterno amor, como se, e nunca se sabe, não houvesse um novo amanhã…
Abraça-me agora meu eterno amor, como alguém que tem hora marcada inadiável para partir…
Abraça-me forte meu eterno amor, como se os pilares invisíveis que sustentam a terra fossem ruir…

Abraça-me e deixa-me chorar, gritar como uma criança que sabe do que sofre, mas não consegue verbalizar…
Abraça-me, e deixa-me ter uma penosa, parva e quase pueril pena de mim, porque as doutas cousas de amor, têm tanto de bom como de ruim…
Abraça-me e nada digas, pois é no teu silêncio que encontro as águas calmas onde o meu coração se precisa de banhar…
Abraça-me forte, num abraço profiláctico, desmedido e sem fim, pois sofro dessa maleita chamada amor, daquele amor parvo e sem fim…

Eventualmente acabarei por me entregar aos braços de Morfeu, num sono tranquilo e sereno, como se mal nenhum houvesse neste mundo…
Tu, em vigília, mulher, minha mulher, forte és. E eu, num sono bem sono, sono profundo, sonho que algures numa realidade bela paralela, existe um mundo sem dor de amor, onde uma única placa de rua diz: -Bem-vindo seja ao lugar do amor nosso de todos os dias, o lugar do amor meu e teu!
… prende-me para sempre nesta terra de sonho, meu leal Morfeu! Assim é meu desejo, assim o desejo eu…

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Breves...

Gostava de me ter nos teus braços a fazer amor num instante infinito, e saber, com as certezas deste mundo e do outro que nasci para morrer de amor… por ti!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Estranho reencontro


Sou Tu!
És Eu!
Que ninguém saiba, que ninguém nos leia… entenda… perceba!
Porque assim, desta maneira pouco formal, podemos ser únicos, molde primogénito… o “san graal”, o amor “pecado” original.
Agarro na tua… minha… nossa mão, como quem se agarra à vida, que está laça, como das mão de uma jovem criança escapa, deslizante, (em)baraço acima, a vida. Perdão… o balão!

Sim, foram belos esses dias, tempos idos vividos, bem vividos, nada de tempos perdidos… em que a juventude parecia um bem infinito, em que nos doíam as maças do rosto de tanto sorrir, em que saltávamos muros, campainhas tocadas à socapa e fugir… escondidos num rir… num abundante rir…
E depois aquele beijo… que mesmo depois de muitos, todos me pareciam ser e sabiam sempre como a ser o primeiro…

Passear de mãos dadas, foleiro mas lindo, e malta, tal era o amor, que a gente não “saía” nem “andava”… a malta até, vejam bem, namorava…
… e aquele dançar em slow… ? Épico momento… que bom… que bom, mesmo que por cada dez pedidos, para uma dança, nove e meio eram tampa certa, e tampa recebida, tampa que nos era dada… bem caladinha era guardada…

E hoje o reencontro inesperado. Nós aqui, por fim, e quase nada falamos, somos conhecidos, mas estranhos, e nesses segundos pensamo-nos…
O passado desfila na nossa mente, os corações alternam entre uma espécie de tristeza sã e uma alegria doente…

… que  segundo eterno, estamos petrificados, à nossa volta uma multidão de pessoas em modo congelado… e nós a reviver o passado… que é passado…
Poucas palavras trocamos… um beijo damos, sorrimos, seguimos e andamos…
Olho uma última vez para trás… e apenas nesse momento me apetece gritar e dizer-te: - Não vás!

Mas serei sempre Tu!
E tu, serás sempre Eu!
Apesar de tudo o que o tempo limpou e varreu.
Mas que ninguém saiba, que nunca ninguém nos leia… entenda… perceba!
Porque assim, desta maneira pouco formal, iremos ser únicos, molde primogénito… o “san graal”, o amor “pecado” original.

Sigo sozinho agarrado à tua… minha… nossa mão, como quem se agarra à vida, que está laça, como das mão de uma jovem criança escapa, deslizante, (em)baraço acima, a vida. Perdão… o balão!
Sim, foram belos esses dias, tempos idos vividos, bem vividos, nada de tempos perdidos…