quarta-feira, 29 de maio de 2013

prome night…





É a nossa prome night, quer dizer, baile de finalistas, só que não me parece tão bem….

…entramos no recinto da festa, não somos nem nunca seremos a rainha e o rei da festa, mas somos gentis gentios que juntaram dois pequenos reinos, dois corações, e os fundiram num só. Sim, é verdade, somos latifundiários de um grande coração, onde há cearas de amor a perder de vista… da qual colhemos, um para o outros, dia após dia, sejam eles solarengos, de chuva ou mesmo de temporal, porque a vida a dois tem um pouco de tudo, sêmolas de paixão, a flor da farinha chamada amor!

…somos tão novos, e pensamos que sim, que é para a vida toda, para a eternidade… que no nosso castelo, olharemos, eternamente, a nossa dourada ceara de amor… hoje, enquanto escrevo e tu não estás, por entre lágrimas, percebo que a eternidade pode ser amanhã, ou no dia seguinte… mas somos tão novos, jovens, e trocámos, nas férias de verão,  juras adolescentes de amor… seladas pelas mãos dadas nos corredores do liceu, sendo que, provavelmente, a única coisa eterna do nosso amor, será o brejeiro ,mas belo coração, que com uma navalha eu e tu esculpimos num castanheiro… ou talvez não…

… as luzes do ballroom, quer dizer, do salão do recinto de festas, só que não me parece tão bem… finalmente, num jogo confuso, multicolor, e por isso belo, acendem e incendeiam o espaço, cheio de gente nenhuma, apenas eu e tu… recolhes o teu vestido… para não pisar, vislumbro o teu muito retro e  coquete sapato, de salto fino e alto…nos outros dias, segredo-to, és a minha “miúda”, hoje, és a minha “senhora”, sorris…

…dou uma mirada no teu rosto, colocámos um Rouge, para dar cor, o vestido, embora agora um pouco mais largo, fica-te tão bem… cai-me uma lágrima, a ti também…
… para além do rouge rosado nas tuas faces, todo o teu rosto brilha, mas de febre, corajosa, por amor tu és…

… porque o conjunto musical só amanhã vem, ponho a girar o disco que previamente preparei… antes que os primeiros acordes soem, já estou nos teus braços, e por fim… a voz vibrante seguida de um coro dooo woop, dita as primeiras palavras…”one summer night”…

…o meu corpo cola-se ao teu, a nossa eternidade, física, penso para mim, pode ser agora, hoje ou amanhã, mas pelo bater dos nossos corações,  o nosso amor não!

…escassos, muito escassos dias  depois da nossa prome night, da nossa dança no ballroom, o teu já frágil coração, que a muito resistiu, parou… mas sei-te feliz, vi-te feliz, senti-me  feliz, pois tiveste, tive, tivemos a nossa noite… entretanto, de corpo, eu cresci! De emoções? Congelei! O castanheiro secou, foi cortada e ardeu… mas o nosso amor não!

… hoje não é o disco que roda sem parar, imagina mas sim uma coisa chamada CD, para me servir de inspiração e panaceia… uma e outra vez… sempre como se fosse a primeira vez… o Dooo Woop…seguido do vibrante “one summer night…. Under the moon of love… no one could ever take your place”…

-     Quem é este? Perguntou o polícia.
-     Ninguém em particular! Apenas mais um velho solitário que morreu!

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