segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Carta de Amor Terceira


De Dentro de mim, 17 de dezembro de 1914

A vida
 

Cá estou meu amor, sempre e só no mesmo lugar… os dias são a cópia exacta do dia anterior, e as noites também! Quer dizer, com raras excepções…

…está tudo calmo, aproveito o pouco que ainda há de vela… que é simetricamente igual ao que esta noite, neste abrigo, haverá de luz….

…a tua foto está a ficar esbatida, são as humidades deste buraco, ou então, da transpiração quando empunho a arma e corro, corro para a vida, semeando à minha frente a morte….

Sabes meu amor!

Pôs-me a pensar se tu, ai, em casa, no nosso lar, que por agora é o teu e meu coração, consegues imaginar o que seria a minha vida sem ti!?

E como seria a minha vida antes de ti?

É claro que este é um pensamento que me assola apenas e só desde que te conheço…

… tenho a noção que o meu antes, era o de alguém que caminha de forma sistemática, constante, mas sem rumo… perdido!? Não sei!?

Tu sabes bem, meu amor, de que o sentido da vida é por certo do mais difícil de definir. A vida é tudo e, em contraponto pode ser nada!

Há coisas que tiram o significado à vida, e outras, meu amor, que é o próprio significado de viver a vida!

A chama, não da vida, mas da vela, começa a extinguir-se, tenho de ser breve, quero que esta missiva parta até ti amanhã….

Assim eu pergunto: e tu? O que serás?

Pois te digo que se a vida é ar, tu és então o ar que respiro!

Se a vida é luz, tu és o sol que me guia!

Se a vida é amor, tu serás o amor em si, para mim!

Mas se a vida, como dizem por ai, é Deus, então, de forma séria e solene, ajoelho-me perante ti, porque então tu és o meu Deus! Logo, uma razão mais do que legitima para amar e viver, com intensidade, a vida, esta nossa, minha e tua vida!

Antes que se apague de vez a vela que esta noite não vela…

Um beijo, deste sempre teu, numa trincheira qualquer.

Amo-te

 

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