quinta-feira, 7 de junho de 2012

A demoníaca máquina do Progresso



A demoníaca máquina do progresso que avança,

surge uma doença, há que criar uma cura!

Contudo, essa máquina infernal que não se cansa,

poluí a água, para a engarrafar e vender como pura!



Enfim, vender o tradicional gato por lebre,

e o consumidor, crente na publicidade,  ainda se sente feliz!

Shiuuuu…. olhem que ele há vacinas que até nos dão febre…

“é pior a emenda que o soneto”, é o sábio povo que o diz!



A TV por cabo, o satélite, rádio RDS, o sistema GPS,

o jacto,  ultra-sónico, o supositório, a guerra das estrelas…

… e mais seitas! Que venha, de tudo um pouco, a alma do homem padece…

E as mulheres a passarem, e eu, o jovem velho do Restelo a vê-las… a vê-las!



João Ramos

sábado, 2 de junho de 2012

Não sou poema sou desabafo…divagação, sobre o amor, relógios, carris e uma estação!



Na vida tudo tem o seu tempo, o seu momento, o seu sentido!

O que tem de ser, a ser, um dia será!

De nada adianta querer chegar mais cedo, a carruagem parte sempre e impreterivelmente à hora marcada, nem mais minuto, nem menos minuto, as suas portas abrem-se exactamente na mesma proporção de tempo…

…pelo que não devemos, neste combóio do amor, chegar tarde, pois só iremos encontrar, para além de uma estação vazia, ferrugentos carris, e olhando nós, para um lado e para o outro, apenas carris para o infinito, como que marcas profundas que atravessam de forma dilacerante o nosso coração, mas que já não trazem nada, nem levam a lugar nenhum!

Se um dia o amor me acontecer, quero, desejo e espero, ardentemente, ser como um relógio, Tica-Tac dos mais puros, dos suíços, daqueles que nem se atrasam, nem se adiantam, que nos fazem estar no lugar certo, pela hora certa, sendo que esse lugar, és tão simplesmente tu!

E quem serás, ou já és, TU?


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por uma causa que vale a pena


Provavelmente, e caso houvesse tempo e espaço, poderia eu, de forma muito segura, e acima de tudo, com provas factuais e evidências, dizer de minha justiça, o porquê do meu apoio e do meu voto no Mário Ruivo, no entanto, porque como o espaço não é muito, e o tempo não é coisa que abunde, nada melhor do que me socorrer do já velhinho, mas não ultrapassado, conceito KIS, “Keep it Simple”, numa tradução muito minha, é algo parecido com: -deixa-te de floreados e diz porque vens e ao que vens!

E assim será! Pelo que não irei dizer que vou votar no Mário porque ele é um camarada “porreiro”, pois toda a gente de bem sabe que sim! Ou porque efetivamente ele é um bom e leal amigo, o que não constitui novidade! Ou ainda, porque é um homem de elevados valores morais!

Não, não é por ele ser é de facto um camarada “porreiro” (no bom sentido da palavra, ou seja, não complica), de ser indubitavelmente um bom e leal amigo e uma pessoa com muito e bons valores morais, eu voto nele, claramente e só, por duas grande razões:

 1. Pela continuidade do projeto que este iniciou, e no qual eu votei anteriormente! Seria falta de senso, da minha parte, se o não fizesse agora, se o não apoiasse novamente. EU QUERO O MELHOR PROJETO PARA O MEU PS DE COIMBRA!

 2. Pela COMPETÊNCIA! Sim, COMPETÊNCIA, que foi o que durante todo este tempo o Mário demonstrou ter, salienta-se:

a. Competente a gerir querelas internas,

b. competente a organizar eleições,

c. competente a gerir a informação,

d. competente a gerir a relação com as Concelhias e os seus militantes e

 e. muito competente a representar Coimbra na Assembleia da República, tendo tempo ainda para dar, diariamente, informação do que de maior relevo se faz na Assembleia.

O meu voto é um voto que separa a amizade, a simpatia e admiração da competência, são coisas distintas, e este homem, este camarada é efetivamente competente e é apenas e só por esse motivo, que leva o meu voto, caso contrário, nem por toda a amizade, simpatia e admiração, eu, jamais o faria, trata-se de meritoriamente votar pura e simplesmente na sua COMPETÊNCIA.

 Confesso que nestes últimos anos, aquilo que mais temo, é que o pensador Victor Lasky tenha razão quando diz: “Na política não há amigos, apenas conspiradores que se unem."

Infelizmente, é o que tenho estado, e estou a assistir e a observar neste momento em que decorre a campanha quer para a Federação, quer para as Concelhias. Não sou contra outras alternativas, bem pelo contrário, sou é contra associações maquiavélicas, sem qualquer ética e respeito, que se urdem em ambientes “conspirativos”. De facto, todos temos o direito de almejar chegar ao poder, seja a que nível de poder for, no entanto, não temos de seguir, para isso, a meu ver, métodos dos quais até Maquiavel se haveria de envergonhar.

Aconselho vivamente alguns camaradas a trocarem da sua cabeceira o livro de Maquiavel, pelo de Sun Tzu, pelo menos, no segundo, a escalada ao poder, à vitória, embora aparentemente imbuída de alguma “belicosidade”, tem honra, que é o que falta a muita gente. Muito provavelmente, até à minha própria pessoa, da qual sou muito autocritico. Pelo que, depois de publicar, vou ler, e ver se aprendo alguma coisa comigo mesmo.

 Mário! Estou sem reservas e a 100% contigo!

 Eu apoio!

 Eu voto!

 O Militante de base 28800

 João Ramos

terça-feira, 29 de maio de 2012

Eu e o Pateta

Das memórias de maior ternura que tenho na minha vida. Nem todos nascemos em berço de ouro, mas esse facto, não significa que a vida tenha de ser uma tragédia. Lembro-me de pedir muito a Deus, quando nas orações da noite, que ele não me fizesse “langão” quando eu crescesse! Pedi tanto que ele, e ainda bem, atendeu ao meu pedido. Não sou nem mais nem menos importante, sou eu, e feliz por isso.
 Dos episódios que mais me marcaram, tinha eu 11 anos.
O Dinheiro, como a tanta gente, não era coisa que abundasse lá por casa, a minha maior riqueza e o meu maior tesouro nesse tempo, e agora, era e sempre foi a minha Mãe, que, corria o ano de 1981, decidiu, por altura do natal, me levar, pois morávamos perto, a ver passar um cortejo promovido pela Walt Disney, com todas aquelas figuras que eu e tantos mais, acreditávamos serem reais.
 Lá nos posicionámos, junto à estação velha a ver o cortejo passar, foi um momento épico! A minha Mãe, pequena em altura, mas grande e forte de coração e determinação, agarrou-me, furou pela multidão, e lá me colocou no carro onde ia o Pateta, fiz o resto da Avenida Fernão de Magalhães agarrado a enorme mão dele, estava ali, com um deles, e nem imaginei que era um traje, e lá dentro, um homem. Olhava para baixo, e a minha Mãe acompanhava-me e sorria delirante. Não consigo expressar a minha alegria, sei lá o que senti. Por fim, tive de apear, mas o Pateta, que o não era, nunca me largou a mão e mimo-me muito. No fim, disse-lhe que gostava de lhe escrever, se podíamos ser amigos…não falou, mas acenou que sim, e deu-me uma morada, que hoje sei que era de uma editora.
 Já nos braços da minha Mãe, não cabia em mim de contente, naquele momento era o maior, porque era amigo pessoal do pateta, até tinha a morada dele, e isso, perante os meus conhecidos, elevava-me, apesar da extrema pobreza em que vivia, à categoria de herói.
 Alguns dias passados, e de tanto sonhar com o meu amigo, aquele que não me afastou por ser pobre, por ter um fato do domingo para ir à missa, ou por ser o filho da mulher da fruta, a feirante, e de ir à “higiene”, no parque da inquisição tomar banho, decidi escrever. Estava possesso, queria ir a Disneylândia, só que na altura… só havia na América… não era barato, mas eu não sabia, sabia que ele era meu amigo, e que podia meter uma cunha, pensei eu.
Os dias foram passando e nada, até que me esqueci, de quando em vez, olhava para um recorte do Diário de Coimbra, onde eu me via numa foto, de mão dada com o meu amigo.
 Um dia, e nestas coisas, há sempre um dia, quando nada o fazia prever, cheguei a casa e a minha mãe, depois de um dia de feira a vender em Arganil, cansada, pegou-me rápido na mão e fomos em direcção não sei onde, não me preocupei, ela só me levou sempre por bons caminhos. Quando dei fé, estávamos nos correios, eu não percebia nada, mas a verdade é que o senhor trazia com ele uma enorme caixa, e hoje, a caixa, ainda é enorme, imaginem na altura. A minha Mãe nada me dizia, e eu, nada descortinava.
De volta para casa, na pequena sala, a minha Mãe começa a abrir a caixa, lembro-me de ver os olhos dela a abrirem e a sorrirem, seguidos de muitas lágrimas! Estendeu-me uma carta, que lera num ápice, e disse-me: - é para ti filho, o teu amigo Pateta escreveu-te…
 Agarro a carta e li não sei quantas” ñ” vezes seguidas, de tal forma que me havia esquecido que havia a caixa, lembro-me de sentir as lágrimas a caírem-me de alegria pelo rosto, parecia um miúdo…era um miúdo… era apenas mais um miúdo, para muitos da minha idade, à época, nem era ninguém, mas era amigo do Pateta….
 …mais calmo, o momento de climax, espreitei para dentro da caixa grande, que ainda hoje é grande… e só vos digo, eu não pode ir à Disney na altura, mas o meu amigo Pateta, mando-me a Disney até mim…de brinquedos a roupa, passando por livros e lápis, não faltou nada, até uma t’shirt da guerra das Estrelas, que hoje, o meu filho com 11 anos, ainda veste, pois ela, como tudo o resto, ficou como novo, a minha brincadeira, durante muito tempo, limitou-se a ser ficar sentado a olhar para aquele magnifico espólio, que provavelmente, nenhum outro menino, mais rico ou pobre que eu, tinha.
 Escrevi a agradecer…mas ele não me voltou a responder, mas entendi que havia outros meninos a quem tinha de ajudar e fazer feliz. Ou então, que tinha ido lá para a américa para a sua casa na Disney, pois teria de ir trabalhar, que era fazer filmes. Não lhe perdi o rasto até hoje, tenho gravado horas de animações do Pateta, livros, seremos sempre amigos.
 Curiosamente, aos 39 anos, concretizei o meu sonho de miúdo, ir à Disney, só que, a Paris , não sei quem curtiu mais, se eu, ou o João Filipe e a Sara. Mas o meu amigo estava lá, e tirámos uma foto juntos, mas acho que ele não me conheceu (ai a idade)
 Acredito que sou o que sou, porque tive um descumunal amor de Mãe, a vigilância celestial do meu Pai, e um futuro traçado por Deus, e bons amigos, acima de tudo, muito bons amigos, e roam-se de inveja…o Pateta foi e é um deles.
 Deixo-vos a carta para ler. Às vezes é tão fácil fazer uma criança feliz.
 Coimbra, 28 de Maio de 2012
 João Ramos




sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mais uma razão para me sentir feliz, como português….


LEIAM, E QUEM SE IDENTIFICAR, QUE PARTILHE…

Mais uma razão para me sentir feliz, como português….

Parabéns Passos Coelho, parabéns governo do psd e cds (em minúsculas, pois não merecem mais), obrigado pelo encerramento da MATERNIDADE ALFREDO DA COSTA…

 …e das outras unidades de saúde que se seguem! Esta, meus caros concidadãos, é apenas a ponta do iceberg.

 Gostaria de deixar bem claro, para quem não gostar do que aqui partilho, que me estou nas tintas! Assim, das duas... uma: ou vão pisar uvas para o Douro, ou, em alternativa, há uma hiperligação que diz: "eliminar amigo" ! Podem lá ir…até agradeço, não gosto de forçar amizades, aliás, eu se não gostar é o que faço, elimino! Mas, como ia desabafando, tenho de dizer bem alto o seguinte, e a bem da minha consciência, não pelo encerramento desta unidade de saúde, mas pelo que aí vem, e pelo que já foi feito, por este e pelo anterior executivo… só não vos chamo de Filhos da P***, caros políticos de carreira em geral, e neste momento aos do governo em particular, porque elas, as P****, não têm culpa, e nem têm filhos assim.

 Desta feita, eu pergunto, em “jeito” de Farpas à moda de Eça de Queiroz, à escumalha política, o seguinte:

 Meus Senhores e Senhoras: Estão na política pela política? Ou pelas mais-valias do antes, do durante e do depois de se estar na política?

 Pergunto ainda se estão na política porque acreditam que podem ajudar, de facto, na administração da “Res Pública”, ou isso é apenas fogo de paixão? Que acaba quando vem o amor aos corredores encerados da Assembleia? E dos Gabinetes?

Já agora, gentes dos órgãos de soberania, eleitos pelo POVO, sabem o que é a RES PUBLICA? Não, não é um bar de cerveja em Coimbra (linda cidade!).

 Infelizmente, muita da Velha Guarda do political world, não presta hoje, como muitos, já no passado, não prestavam! Mas ainda circulam… mexem uns cordelinhos, fazem uns biscates aqui… numa PPP, um outro biscate acolá… numa empresa forte de um sector privado qualquer…. Contudo e infelizmente, muita da New Generation de políticos, pelas afirmações que faz, do que diz e do que tem como projectos para este país, não valem mais, (isto num rácio de comparação com a M**** de Galinha) do que 200gr da mesma M****!

 Ou seja, são os políticos da New Generation, com as ideias dos da Velha guarda! Também já farejam, sem ofender a raça canina, os mesmos biscates: mexem uns cordelinhos, fazem uns biscates aqui… numa PPP, um outro biscate acolá… numa empresa forte de um sector privado qualquer….

Eu penso que quanto mais se avança na Democracia deste País, também a forma como se escrevem algumas palavras, e o seu próprio significado, entre elas saliento o termo"POLÍTICO", deveria mudar. Neste momento, a geração gaiata e patusca, de políticos da esquerda à direita, deveriam ser chamados de polítiCUs, ou seja, provocar uma queda no “O” e colocar um “U”…pois é o que são, sentam os seus belos CAGUEIROS, também, vulgo CÚS, nas cadeiras do poder, para abanarem a cabeça no sentido Up and Down, uma espécie de sempre sim ao líder, ou então, mesmo não sabendo bem a matéria que está a votos, carregarem no botão, o que, para muitos, até nem é fácil, e tem de haver uma mini formação na AR, para os ambientar!

 Ah, e também acho tão fofinho, o que eles aprendem e repetem, como aqueles macacos de umas máquinas que estavam na rua, e quando passava alguém, o sensor detectava e dizia, em Espanholóportugues: "deja-me ler tu Futuro"!

Eles, cada vez que um da sua bancada fala, dizem, a olhar para o Facebook, ou a Bola: - é assim mesmo camarada, ou: -bem dito, bem dito… ou outra piolhice piegas muito similar.

NOTA: Ainda bem que não deixei ler o meu futuro… senão, tinha cortado os pulsos com uma caneta BIC de ponta grossa (para sofrer mais!).

 Se temos bons políticos? Nos vários quadrantes? Sim, temos. Eu conheço bastantes, mas, infelizmente, a maioria deles está amarfanhada, encostada, ostracizada pelas lideranças, e a entourage, ou, se preferirem, a sua teia! Se fosse em ITÁLIA seria polvo, mas a Troika não me permitiu o uso dos cefalópodes, logo, tem de ser teia, meus amigos do “ventre ao léu”, sai mais barato.

 Existe sempre, para calar os mais resilientes, colocá-los em “Gaiolas Douradas”. Pensam que voam, mas voam pouquinho, ou mesmo nada.

 A forma como se tem tratado o povo Português é, para mim, humilhante, eu diria mesmo, é do “Tarrafal”! Ele manda-nos emigrar, no entanto, fecham consulados e por ai adiante, não querem renovar o contrato dos professores de Português, para que os Luso-descendentes aprendam o idioma dos seus pais. Mas depois, querem que mandem as divisas para Portugal: EMIGRANTES, FAÇAM-LHES UM ENORME MANGUITO, A CLASSE POLÍTICA, DE VOCÊS, APENAS QUER O GUITO!!!!

 Mas enfim, toda esta verborreia começou porque o Governo da República de Portugal, está de parabéns, mas de uns parabéns funérios, de fumo negro, de luto, de nojo.

Acredito que Portugal está moribundo, mas não vai morrer, porque o povo, como em outras ocasiões, adapta-se, sobrevive, esperneia mas não, não morre.

NÃO MORRE, senhores das cadeiras de pele, e dos corredores encerados, porque o VOLKSGEIST (espírito do povo) dos PORTUGUESES é enorme, sempre foi. No entanto, sei que vai ser um longo, mas muito longo velório … alguém, “por amor da santa”, que afugente os abutres!



 NOTA: a utilização do *, vem no seguimento, ou corrimento, já nem sei, de alguns puritanos que no último texto que escrevi, me apelidaram de mal(criado), coisa que eu aproveito para negar, até sou muito bem-criado, sou chicha e músculo de 98 Kg.

DIXIIT que é como quem diz, em latim: Ó Elvas, ó Elvas.... Badajoz à vista!

 O CIDADÃO UTENTE, MAS TAMBÉM CONTRIBUINTE:

 João António Dias Ramos

 PS: O Autor assume todas as responsabilidades criminais ou cíveis que advenham do seu escrito.

sábado, 10 de março de 2012

Na poeira do tempo


Busco-te na parda poeira perdida do tempo!
Sim! Nessa mesma! Que em desgosto cobre o teu retrato.
Olho, busco o teu rosto, e utopia, nele, alguma réstia de sentimento!
Semblante Vitoriano, que um dia, me foi belo, me foi meigo e me foi grato!

Quão doce eras tu! Sempre sorridente e, aparentemente, por mim apaixonada.
Apenas uma triste representação, a um cego que vê, mas não via a tua ilusão!
Um amor que tudo parecia, e contudo, era apenas esse mítico um “ grande nada”!
Alguém, maquiavelicamente, congeminou esta triste e mísera teatral paixão!

É a dor, apenas e só a dor que me leva compulsivamente aqui a escrever.
Como que uma nauseante purga redentora, querendo o meu coração aliviar!
Pois de outra forma, sob tão pesada pressão, não conseguiria sobreviver.

Assim, no caminho ao Santuário da Dor, sinto-me peregrino e penitente,
de coração sangrado, agarrado a um fraco cajado, em silêncio, por mim a rezar!
Criando no meu EU, por via do teu TU, um coração dolorosamente ausente!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Por um postigo…soldado desconhecido...outra explosão…

(dedicado a todos os soldados, cujo posto não importa, ao soldado, não que procura a Guerra, mas é levado, não se sabe por vezes, em nome de quê, até ela. Em particular, ao Soldado Desconhecido, que são aqueles que pereceram em combate, mas cujos corpos nunca foram encontrados. Que todas essas almas atormentadas, descanssem em paz)




Foi na dolorosa violenta vivência bélica, contigo,

que descobri, à força e de veritas, o sofrimento!

O escuro? Esse, tornou-se no meu melhor amigo,

aquele que, à noite, me guarda no meu sono ao relento.



Ao longe, não sei quão longe? Vejo mais um e outro clarão…

…parece que ouço, sim, sei que ouço, um horror de gente a gritar!

Que se registe, que tu e eu saibamos, é mais uma e outra explosão,

com um único e desonroso fim…matar, matar, matar!



E a besta metálica, sonoramente brilhante, não escolhe géneros ou idades…

onde cai, cai! Explode! Mata! O buraco, em jazigo dos corpos, se torna.

O Homem é um ser capaz de coisas belas e boas, e de desmedidas maldades!

Aqui, no meu ninho de metralhadora (empurrado fui), a paz, soa-me a quimera!



Apenas, vejam só, me pediram que eu faça um serviço…que muitos eu mate!

Aqui e agora, apenas penso que, se não mo dissessem, eu matava na mesma!

Não pelo brio! Mas sim por medo, cobardia, para que à mortandade eu escape,

sita, neste campo de nojo (luto), desta injustificável e desumana contenda!



Mas não fujo, não entendo, mas não me movo! Gelado especado estou eu!

Sinto que “eles” se aproximam! E eu? Bom, resta-me nesta cova aguardar!

Assim, de quem vêm, só me ataca quem ainda, (in)felizmente não morreu!

Pois quem de morte morrida morreu, já não mata, já não pode lutar!



E assim se mantém, pela força da força sem razão, o Império Vivo!

E todos nós, pobres peões de brega, aqui, esquecidos em “Missão”!

A vida!? Essa vê-se apenas por um estreito e limitado postigo,

mas mais perto, vejo o rosto brilhante da morte, uma nova explosão!

  

Coimbra, meu eterno encanto!



Coimbra! Tu és cidade mimada,
por todos os que aqui passam!

És simplesmente isso, A Coimbra, Cidade amada,
todos te querem, todos te abraçam!


Mondego é o teu rio,
mil vezes cantado, pleno de amor!

Junte-se-lhe a Queima, que é um pavio,
de festa, alegria e muita cor!


Capas negras soltas ao vento,
descem da Velha Senhora,

ó Universidade, tu não tens idade nem tempo,
e do no nosso amor és dona e Senhora!


A Torre alta e iluminada,
a serenata serena, aprecia,

escuta os efferreas da malta,
e deles, é guardiã noite e dia!


Às 7H30, já a Cabra toca feliz,
para levantar todo o estudante,

tem razão oeste e o futrica que diz,
que és nossa imagem, de Coimbra, o seu semblante!


O fado no nosso coração,
marca, jamais se esquece!

Coimbra é fado, fado é Coimbra, uma emoção,

que em nós, para a uma toda eternidade, permanece!


Caloiros, e por fim doutores,
voltam para as suas terras distantes,

não esquecem Coimbra e dos seus amores,
mas sabem que nada , lá longe, voltará a ser como antes!


Quem cá viveu, ou estudou,
foi por certo, estudante, boémio ou cantador!

Acha que outra cidade nunca amou,
e irá deixá-la com muita saudade e dor!


Coimbra e a velha Universidade,
a ti, estudante te albergou,

mas  dorme tranquilo, mesmo longe, pois na verdade,
a ti estudante,  Coimbra sempre te amará, porque sempre te amou!.














quarta-feira, 7 de março de 2012

Angústia



Pássaro estúpido e cruel,
caíste na armadilha…louco!
Foi só por isco de mel! Tolo és, e não é pouco!

Esvoaça meu grande sacana! Mexe-te!
Sê um pássaro, não sejas um Banana!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Espero-te Caronte, para ir e voltar!




Cerro os meus olhos, dia e noite, e só vejo tristeza, vazio e solidão!

Triste? Eu sei! Mas é o que vejo quando me olho por dentro, quando retalho minha alma (já há muito perdida e vendida), o meu coração!

Faço a catarse, lá no alto, naquele pico que não existe, a não ser nos meus medos!

Salpico, o mais que posso, com jasmim e outros odores florais, os pensamentos de ambos (alma e coração) mas todos eles, por mais que os perfume, saem sempre fétidos! Na verdade, e em bom rigor, não os deixo sair, é por sua vontade que se expatriam de mim, em forma de vómito!

Pobres… mas como os entendo! Fogem, esses pestilentos pensamentos, de um algo mais negro e podre, do seu progenitor, o meu EU!

Já me esgoelo, em dor, com nojo de mim próprio!

Aqui, num desajeitado estado de estar, precisamente neste momento, (des) encontro-me eu, a sós, com a alma dolorosamente ferida e um coração patético perdido partido! Tudo isto, insalubremente temperado com o nauseabundo cheiro podre dos meus próprios pensamentos, agora, jazidos na rocha do promontório em que me sento e onde já nada sinto, nada penso nem contemplo.

Apenas olho para o agora! Um agora dentro de mim! Onde só e sempre, vejo tristeza, vazio, solidão!

Dou por mim a olhar, e disso dou notícia, de que, a borbulhosa e bolorenta pasta de pensamentos, por mim, involuntariamente gomitada, queima o chão rochoso onde caiu…

Lá no fundo, as águas do Estige e Aqueronte; a corrente é forte e tem vida, sinto-o, pelo seu angustiante e lancinante ulular. Quiçá, queixa-se de mim…

Ouço remar! Há muito que sim, lá no cimo do promontório! Ouço! Escuto!

 Anuncia-se um remar, a espaços… como que sinto um chapinhar de remos, dia e noite, mas não vejo barco nenhum a aportar, no cais da Lazarenta Imaginação, criado apenas e agora, para esta minha catártica expiação…

…entristeço-me, pois a barca que aguardo, é a de Caronte, mais tarde ou mais cedo…porque não?

Mas que temes servo de Hades? Filho de Nix (noite)! Meto-te mais medo que que todos os horrores do mundo inferior?

Atraca maldito, não sentes que de ti preciso! Contudo, com bilhete para ir e voltar! Infame barqueiro! Pois te digo que apenas quero, nas margens de lá do Estige e Aqueronte, a minha tristeza, vazio e solidão expurgar!

…vem até mim barqueiro Caronte, anseio-te, e já tardas! Se me levas, eu volto, porque lá, em terras de Hades, não me quero demorar! Apenas e só, o mais que breve tempo, para que, como um louco, entre a vida e a morte, rir e chorar, ser o que sou, despir, tudo largar, morrer, nascer, correr para o cais, e regressar, para uma nova vida, onde não há tanta tristeza, vazio e solidão…

…por isso, se me queres de novo vivo no mundo dos vivos, sem medo vem, vem Caronte, vem-me buscar…para que eu, simbolicamente, morra e nasça, para um novo acordar, e nesse momento, possa de novo, para dentro de mim olhar…e cujos pensamentos de minh ‘alma e coração,  possa de novo, pois puros serão, partilhar…

…sem medo nem vergonha, daquilo que sou! E o que eu sou, eles são sãos serão…