quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

AQUI


Aqui, onde o vento não uiva, mas sim aterroriza com o seu grito gutural, profundo e dilacerante, só o meu coração dorme, pacifico e tranquilo, como um recém-nascido, plenamente embalado.

Aqui, onde a chuva não cai miudinha, mas sim em catadupa, qual sangria do próprio céu, só o meu coração se encontra bem seco, qual lençol estendido na eira em tarde solarenga.

Aqui, onde as pessoas que passam falam tanto como túmulos perdidos e enterrados sob uma camada espessa de terra negra e podre, só o meu coração se rejubila de alegria, pelo sono e pelo conforto que sente em estar dentro de mim, sabendo que eu, seu fiel depositário, o amo, que comigo o trouxe, comigo o carrego e que comigo o hei-de levar...

Aqui, onde há vento e chuva, também brilha o sol, e há
arco-íris... de nenhumas cores!

APENAS ISSO...NÃO SEI!


Não sei ao que sabe o mar !

Sou do interior ! Nunca o vi!

As ondas ? Somente de as sonhar,
pois no meu corpo nu nunca as senti !

Não sei ao que sabe o amor!
Vivo só, o seu gosto de ninguém o provei, nem de ti!
Beijos? Não sei tão pouco o seu sabor,
pois nunca os dei ... nunca os recebi !

Não sei ! Não sei o que é a verdade!

É tudo perda... é tudo confusão.
A minha ignorância tem exclusividade,
Como um quadro , poema ou canção!

APARENTAS SER MAS NÃO ÉS


Toma o meu corpo!

Possui-me por inteiro, sou teu e de outra forma não sei já viver.
Dilacera-me a alma!

Mortifica-me docemente com os teus dedos húmidos de prazer.

Encarcera-me o coração!

Não quero viver livre, nem tão pouco sentir a luz, antes a tua doce escuridão e o teu fétido cárcere.

Corrompe-me o espírito!

Faz de mim uma besta lasciva e pecaminosa, pior do que aquela que já sou!

Rasga-me o peito, fere-me, marca-me de dor profunda ou nada serás na minha vida, quem sabe, apenas um demónio menor, nunca o diabo que te carregue e eu rindo-me nas tuas costas.

Linda…

A NOITE

 A noite traz-nos uma imensidão de sabores, sentimentos e pensamentos.

 A noite faz-nos sentir mais forte a solidão, que não é a solidão de estar só, mas sim e apenas ausente de ti, tu que és o meu mais doce sabor, o meu mais nobre sentimento, o meu mais belo pensamento.

Quando me encosto, e lentamente fecho os olhos, é o teu nome, a tua imagem que eu vejo, e assim, letra por letra, como quem expia a ultima oração da noite, vou dizendo o teu nome, até me perder nos braços sonolentos do sono, embalado pela tua imagem, feliz por estar a sós contigo, na nossa muito peculiar solidão ... minha e tua.

A MÁQUINA DO TEMPO…O TEMPO DO AMOR.


Saudades de ti…

Saudades de mim…

Saudades de nós, de um amor puro e vivido no plural, que ficou para traz…

…tento inventar, embora que em vão, uma máquina do tempo que me leve e que te leve, até aquele doce passado…a NÓS…

…resta-me cair, sem eira nem beira, como um indigente sentimental, um sem abrigo do amor, na cama vazia, fechar os olhos, e sentir que os mesmos humedecem ao pensar-te, ao sonhar-te…tento encontrar resquícios do teu cheiro, o cheiro de uma mulher, de uma companheira, de uma amante…mas faz muito tempo que ele se evaporou…

…é então, que vencido pelo cansaço, com as peças de um coração despedaçado e um desejo enorme de nós encontrar lá atrás, nesse passado feliz, que nos meus sonhos de dor, se monta uma máquina do tempo…é em forma de espírito que te consigo ver, que me consigo olhar, que nos vejo numa cúmplice troca de palavras, juras de amor eterno, beijos quentes e de verdadeiro prazer, dois corpos unidos numa ode épica ao amor, ao mais puro, cristalino e nobre AMOR.

…acordo quente, como que febril, a cama desfeita, agitado, mas ao mesmo tempo, com o coração tranquilo…por momentos, sinto o teu cheiro, o cheiro de uma mulher, de uma companheira de uma amante…mas apenas o sinto por breves instantes, demasiados breves instantes…

…um dia, quem sabe, irei fechar este capítulo e arrumar este livro…ou não…porque o sonho, também nos alimenta para a vida…!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A louca A Vaca


A LOUCA

A VACA

 

 

Não sou a vaca, mas sou louca e não desejo ser abatida, pois ferida já estou e de morte.

Não sou a louca, sou a vaca, tão falada, tão sentenciada de morte, que já morta estou.

 

Não sou a vaca louca, nem a “louca” vaca, de que o povo fala e apouca ... antes ser poeta.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Com outro nome mas os mesmos sentidos e pensamentos



Com outro nome, e com conteúdos
variados, aqui posso falar de amor, de dor, de ódio, ou então, revisitar o
passado, os caminhos da história, por certo farei criticas sociais, políticas e
de muitos vícios….
…mas isso não significa que me
considere melhor do que ninguém ou que me considero impoluto. Sou tão ou mais
pecador que qualquer um de vós que hipoteticamente me poderá ler.
Posso ainda enaltecer a minha
imagem, ou daqueles que amo. Ou pelo contrário, desmontar a pessoa que sou, com
tantos “podres” com qualquer ser humano.
Escrever, poderá servir para expurgar,
de dentro de nós, os “excrementos” do diabo, ou afetar os outros, de forma suave,
com o amor de Deu
Acredito que ambos vivem dentro
de nós, Deus e o diabo, acredito que somos o bem e o mal, o céu e o inferno, e
é por essa razão que eu acredito que somos HUMANOS, e não porque somos seres
biológicos e respiramos…


João Ramos